Como Responder ao Questionário de Segurança e LGPD de Due Dilligence


Escrito por Amanda Santos, advogada especialista em proteção de dados e LGPD para empresas de tecnologia e fintechs na NDM Advogados.
Desde 2014 oferecemos assessoria jurídica e contábil completa para empresas tech crescerem com segurança e poderem focar no que importa.
Atualizado em 29/07/2026
Você passou meses negociando uma conta estratégica. Fez dezenas de reuniões de alinhamento, a diretoria adorou a sua plataforma de tecnologia, e a sua solução de inteligência artificial foi aprovada como um diferencial competitivo. O contrato está, virtualmente, fechado.
De repente, a área de Compras ou de Compliance do seu futuro cliente envia um e-mail com um anexo assustador. Trata-se de uma planilha de Excel com centenas de abas e perguntas altamente técnicas sobre a sua infraestrutura.
O famoso questionário de segurança e LGPD (ou Due Diligence de Privacidade) acaba de entrar no seu funil de vendas. E se a sua equipe não souber como preencher esse documento com propriedade, aquele negócio milionário pode simplesmente travar na reta final.
Na prática, empresários de tecnologia, fundadores de SaaS e líderes de fintechs lidam com esse gargalo diariamente. Responder a essas planilhas não é só um detalhe burocrático, é a prova de que o seu negócio é realmente maduro. A seguir, mostramos como decifrar esse documento e transformar a conformidade em argumento de venda.
Para quem está do lado da inovação e da agilidade, o questionário frequentemente parece um exagero de corporações engessadas. Mas, do lado de quem contrata, trata-se de sobrevivência financeira, regulatória e reputacional.
Com a plena vigência da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), a conformidade no tratamento de dados tornou-se uma responsabilidade inegociável, ainda mais para grandes corporações, que assumem, perante a lei, o papel de “Controladores” dos dados.
Quando essas corporações contratam a sua plataforma para processar dados de funcionários, clientes ou parceiros deles, a sua empresa assume o papel de “Operador”.
O que poucos empreendedores percebem é que a responsabilidade não se transfere magicamente com a assinatura de um contrato comercial. Se houver um vazamento, acesso indevido ou uso não autorizado na sua infraestrutura, o Controlador (seu cliente) ainda poderá ser severamente responsabilizado pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Isso significa que, além das multas legais, há um imenso impacto reputacional. A confiança é o maior ativo estratégico de uma grande marca. É exatamente por isso que essas empresas aplicam o processo de Due Diligence de Terceiros.
O questionário de segurança e LGPD é a principal evidência documental de que o cliente não foi negligente ao entregar uma base de dados valiosa nas mãos da sua empresa. Ele serve para mapear o risco antes de compartilhar qualquer informação.

Quando a planilha chega, o volume de abas costuma intimidar. No entanto, o objetivo dos auditores internos do seu cliente não é simplesmente arrancar um “sim” ou “não”, mas avaliar a consistência técnica e jurídica da sua operação.
As empresas costumam dividir o questionário em três pilares fundamentais. Entender a intenção por trás de cada grupo de perguntas ajuda a sua equipe a formular respostas muito mais maduras e estratégicas.
Neste primeiro pilar, o cliente avalia se a proteção de dados é uma pauta real na sua empresa ou apenas um papel de gaveta. Eles questionarão se você possui um Encarregado de Proteção de Dados (DPO) nomeado.
Também vão solicitar cópias atualizadas das suas Políticas de Privacidade, Política de Segurança da Informação (PSI), Termos de Uso e Política de Retenção e Descarte de Dados.
Vale destacar que, embora a ANPD tenha emitido resoluções flexibilizando algumas exigências para empresas de pequeno porte e startups, o mercado corporativo costuma ser mais rígido que a própria lei. Respostas evasivas ou a ausência total de governança geram alertas vermelhos imediatos na mesa do auditor.
Este é o coração técnico do questionário de segurança e LGPD. O foco é descobrir exatamente como você protege os dados no dia a dia da operação, dificultando o acesso de cibercriminosos.
As perguntas englobarão métodos de criptografia, políticas de controle de acesso, a obrigatoriedade de autenticação em múltiplos fatores (MFA) para seus desenvolvedores e a frequência com que você realiza testes de intrusão (Pentest).
Além disso, a localização dos servidores é crucial. Se a sua plataforma é hospedada em nuvens públicas internacionais, o cliente precisará avaliar as regras de transferência internacional de dados, um ponto altamente sensível da LGPD.
Nenhuma empresa de tecnologia está 100% imune a ataques hackers ou falhas humanas. O que diferencia um parceiro B2B confiável de um fornecedor amador é o tempo e a eficácia da resposta durante uma crise.
O questionário trará perguntas aprofundadas sobre o seu Plano de Resposta a Incidentes, suas rotinas, backups e o prazo para notificação do Controlador em caso de suspeita de vazamentos.
Na prática, o cliente quer a garantia contratual de que, se uma vulnerabilidade for explorada no seu sistema numa sexta-feira à noite, você não vai esperar até segunda-feira de manhã para avisá-lo.
Preencher uma planilha de due diligence com centenas de linhas é um trabalho exaustivo, especialmente quando a sua startup ou empresa de tecnologia ainda não possui selos globais de segurança, como a ISO 27001.
A regra de ouro neste momento é: transparência absoluta. Nunca minta ou mascare processos. Auditorias subsequentes ou pedidos por evidências podem expor a inverdade, o que configura quebra de boa-fé contratual e pode resultar em pesadas multas rescisórias.
Abaixo, elaboramos uma tabela comparativa que ilustra a diferença entre uma resposta que demonstra imaturidade e uma resposta estratégica que transmite confiança corporativa, mesmo diante de lacunas.
| Pergunta do Questionário | Resposta Ruim (Amadora) | Resposta Estratégica (Corporativa) |
| Vocês possuem um DPO nomeado? | Não temos porque nossa empresa é pequena e a lei flexibiliza isso. | A governança de privacidade é gerida pelo Comitê de Segurança (CTO e Jurídico). Estamos estruturando a nomeação de um DPO as a Service para o próximo semestre. |
| Os dados são criptografados? | Sim, nossos servidores são muito seguros. | Sim. Utilizamos criptografia AES-256 para dados em repouso e TLS 1.3 para dados em trânsito, seguindo as melhores práticas de mercado. |
| Como os dados são descartados no fim do contrato? | A gente apaga tudo do sistema quando o cliente pede. | Conforme nossa Política de Retenção, os dados são excluídos permanentemente em até 30 dias após o encerramento do vínculo, mediante solicitação e emissão de log de exclusão. |
| Vocês realizam testes de vulnerabilidade (Pentest)? | Não temos orçamento para fazer isso no momento. | Realizamos varreduras automatizadas mensalmente no código (SAST/DAST) e possuímos cronograma para execução de um Pentest por empresa terceirizada até o final do ano. |
| Possuem certificação ISO 27001? | Não. | Não possuímos a certificação formal no momento, mas nossa Política de Segurança da Informação (anexa) é integralmente baseada e alinhada aos frameworks da família ISO 27000. |
Ao analisar a tabela, fica evidente que a transparência aliada a um plano de ação contínuo vale muito mais do que um “não” não justificado.
O preenchimento adequado do questionário transforma uma aparente fraqueza em uma demonstração viva de governança. Empresários que adotam essa postura consultiva ganham o respeito dos auditores e aceleram a aprovação do deal. Se a sua equipe está com uma planilha dessas em mãos agora, vale revisar as respostas com esse filtro antes de enviar ao cliente.

Se a sua empresa desenvolve soluções B2B e integra recursos de Inteligência Artificial, o nível de exigência do questionário de Due Diligence será dobrado.
Plataformas, SaaS e fintechs que utilizam LLMs (Large Language Models), como as APIs da OpenAI, Claude (Anthropic) ou modelos hospedados na nuvem, precisam ter uma clareza cristalina sobre o fluxo dos dados dos seus clientes.
Ao enviar os dados processados na sua plataforma para uma API de IA de terceiros, a sua empresa está realizando um compartilhamento de dados em cadeia.
O cliente de grande porte inevitavelmente perguntará na planilha: “A sua empresa compartilha os dados pessoais recebidos com outros parceiros ou fornecedores?”.
Se a resposta for positiva (e em arquiteturas modernas quase sempre é), você precisará listar detalhadamente todos os seus fornecedores: provedores de nuvem, CRMs, ferramentas de analytics e os provedores dos modelos de inteligência artificial. Para o seu cliente, esses parceiros são os “suboperadores”.
Isso significa que, se você integra uma IA para analisar contratos ou resumir chamados de suporte, deve assegurar ao Controlador que os dados dele não estão sendo usados de forma indiscriminada.
A principal exigência técnica será a garantia contratual de que os dados pessoais fornecidos não serão utilizados pelas Big Techs para o treinamento (machine learning) de seus modelos públicos. O seu cliente quer consumir inovação, não expor a base de usuários para treinar o algoritmo alheio.

Como mitigar riscos no compartilhamento de dados ao longo dessa cadeia tecnológica? A resposta não está apenas na tecnologia, mas na blindagem jurídica da sua operação.
Antes de repassar qualquer dado pessoal, é essencial ter contratos extremamente bem amarrados com seus próprios fornecedores. O mesmo rigor que o seu grande cliente exige de você no questionário, você deve exigir das pontas da sua arquitetura.
Evite repassar dados desnecessários. Compartilhe apenas o mínimo indispensável para que o serviço ou a IA execute a função prometida. O princípio da minimização é um dos pilares da LGPD e a forma mais eficiente de reduzir danos caso ocorra uma falha cibernética externa.
Além disso, mantenha o registro de todas as operações e treinamentos da sua equipe. Muitos incidentes ocorrem porque setores comerciais ou de marketing extraem dados sem consultar o jurídico ou a TI. O treinamento contínuo transforma seus colaboradores na primeira linha de defesa da privacidade.
Para que a sua equipe não perca semanas produtivas sempre que um novo questionário de segurança e LGPD chegar, é necessário transformar esse preenchimento em um processo inteligente e repetível.
Siga este roteiro tático para otimizar as respostas:
Existe um mito no ecossistema de tecnologia de que apenas corporações perfeitas sobrevivem às auditorias de due diligence. Na realidade, o mercado sabe que a conformidade e a segurança são processos contínuos, e não destinos finais. Nenhuma plataforma está totalmente isenta de riscos.
O que as grandes corporações avaliam é o apetite ao risco e a capacidade da sua empresa de gerenciar e mitigar falhas.
Se a sua empresa ainda não possui uma política específica exigida na planilha, evite respostas vazias. Assuma a lacuna com profissionalismo e apresente um “Plano de Ação de Conformidade”. Trata-se de indicar um cronograma simples mostrando em quantos dias, semanas ou meses aquele gap será corrigido.
Por outro lado, tropeçar em conceitos básicos ou tentar omitir falhas arquitetônicas evidencia imaturidade, colocando em risco a reputação da sua marca em um mercado onde os diretores conversam entre si.

Responder a um questionário de segurança e LGPD de um grande cliente não deve ser encarado como um peso burocrático comercial. Pelo contrário, trata-se de um rito de passagem para empresas que estão prontas para jogar nas grandes ligas corporativas.
Para fundadores de tecnologia, fintechs e plataformas SaaS, a segurança da informação e o compliance deixaram de ser centros de custo para se tornarem diferenciais competitivos agressivos. Quem preenche essas planilhas com autoridade técnica e fundamentação jurídica transmite solidez, mitigando os medos do cliente e reduzindo drasticamente o tempo de fechamento do contrato.
Se a sua empresa precisa de apoio para revisar contratos complexos, elaborar cláusulas específicas de IA, estruturar respostas sólidas para questionários de due diligence de terceiros ou organizar seus fluxos de tratamento de dados, conte com a expertise técnica da nossa equipe.
A NDM Advogados está pronta para apoiar a sua operação B2B com clareza, segurança e visão estratégica de negócios. Fale com a nossa equipe e transforme a adequação à LGPD em uma alavanca de vendas para a sua empresa, não em um obstáculo para fechar contrato.
É uma investigação e auditoria prévia exigida por médias e grandes empresas antes de contratar plataformas e fornecedores. O objetivo é mapear riscos cibernéticos e confirmar, de forma documental, se o parceiro cumpre a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018).
A lei flexibiliza a nomeação para pequenas empresas sob certas condições, mas grandes corporações e bancos frequentemente exigem a figura do DPO como requisito comercial inegociável de governança. Nesses casos, a contratação de um DPO as a Service costuma ser a melhor saída.
Não é recomendado. Células vazias geram desconfiança, demonstram falta de atenção e invariavelmente atrasam a aprovação do negócio. Se a pergunta não se aplicar ao escopo da sua tecnologia, responda com “Não Aplicável (N/A)” e justifique brevemente o motivo.
Declarar conformidades que a sua empresa não possui configura quebra de boa-fé. Em caso de auditoria pós-contrato ou de um vazamento de dados real, sua empresa poderá sofrer rescisão motivada, responsabilização civil e multas pesadas por danos causados ao Controlador e aos titulares.
Sim. Provedores de Inteligência Artificial que processam dados pessoais enviados pela sua plataforma atuam como seus suboperadores legais. Você deve declarar o uso, evidenciar o fluxo dos dados e comprovar contratualmente que essas ferramentas não utilizam as informações do cliente para treinar modelos abertos ao público.

Newsletter NDM
Direito para quem constrói tecnologia — sem juridiquês, ~1x por semana.
Confira os dados e tente de novo.
Pronto! Você está na lista.
Só chega no seu e-mail quando vale a leitura.
Fale com um especialista da NDM e veja como assessoria + plataforma trabalham juntas pelo seu crescimento.
Fale conosco