O que a decisão de adequação da ANPD entre Brasil e União Europeia muda para Startups e Fintechs entrarem no mercado Europeu em 2026


Escrito por Maria Andrade, advogada especialista em proteção de dados para empresas de tecnologia e fintechs na NDM Advogados.
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Atualizado em 28/01/2026
A decisão de adequação da ANPD para reconhecimento mútuo de adequação entre Brasil e União Europeia, anunciado em 27 de janeiro de 2026, marca a criação da maior área de fluxos seguros de dados do mundo, integrando cerca de 700 milhões de pessoas. Este marco jurídico estabelece que ambos os territórios possuem padrões elevados e equivalentes de proteção, permitindo a livre circulação de dados pessoais sem a necessidade de mecanismos burocráticos adicionais, como cláusulas contratuais padrão.
Para fintechs e startups, a decisão funciona como um impulso que acelera a internacionalização, com uma estimativa de aumento de 7% a 9% no comércio digital bilateral. Setores intensivos em dados, como tecnologia, serviços digitais e healthtechs, são os maiores beneficiados pela eliminação de barreiras e auditorias técnicas complexas apenas para o fluxo bilateral.
Como afirmou Anne Schilmoller, Team leader for data flows European Commission, durante webinar organizado pela ANPD:
“Os dados pessoais podem fluir da UE para o Brasil tão facilmente quanto fluem de Paris para Berlim ou de Roma para Madri.”
Para as empresas de base tecnológica, o reconhecimento funciona como um impulso na agilidade de expansão e na redução de custos:
O reconhecimento de adequação consolida o que chamamos de “Corredor Digital Brasil-UE”, um caminho de baixa fricção para o crescimento econômico e tecnológico. Esta nova fase é sustentada por quatro pilares fundamentais:
A integração cria um mercado de aproximadamente 700 milhões de pessoas. As projeções econômicas são robustas:
Embora o fluxo seja facilitado, a adequação não é um “passe livre” para negligência. Para expandir negócios com segurança, as organizações brasileiras precisam ajustar seus processos internos:
| Ação Necessária | Descrição e Requisito |
| Mapeamento de Fluxos | Identificar claramente quais dados cruzam a fronteira Brasil-UE/EEE. |
| Atualização de Políticas | Revisar avisos de privacidade e contratos para citar a decisão de adequação como a nova base legal. |
| Transparência Total | Publicar documentos em português com linguagem clara e acessível. |
| Atenção a Terceiros | Lembre-se: a adequação vale para a UE. Transferências para EUA ou Ásia ainda exigem mecanismos como cláusulas padrão. |

Para aproveitar essa nova infraestrutura essencial do comércio global, as organizações brasileiras precisam demonstrar conformidade através do mapeamento de fluxos específicos e da atualização de suas políticas de privacidade.
Além disso, devem manter a transparência com documentos em português e linguagem clara, lembrando que a facilitação é restrita ao bloco europeu e não se aplica a transferências para terceiros países, como EUA ou nações asiáticas. Em suma, o novo “Corredor Digital Brasil-UE” remove obstáculos históricos, integra cadeias de alta tecnologia e consolida o Brasil como um destino confiável para investimentos e inovação digital.
1.O que muda na prática para o fluxo de dados entre Brasil e União Europeia? A partir de agora, o Brasil e a UE reconhecem que possuem níveis equivalentes de proteção de dados. Isso significa que os dados pessoais podem circular livremente entre os dois territórios sem a necessidade de mecanismos burocráticos adicionais, como as Cláusulas Contratuais Padrão (SCCs).
2.Quais países estão incluídos nesta decisão? A decisão brasileira abrange os 27 Estados-membros da União Europeia e os países do Espaço Econômico Europeu: Islândia, Liechtenstein e Noruega, totalizando 30 jurisdições.
3.Minha fintech já opera com parceiros nos EUA. O reconhecimento de adequação ajuda nesse fluxo? Não. O reconhecimento de adequação é restrito à União Europeia e ao EEE. Transferências para outros países, como os EUA ou países asiáticos, continuam exigindo mecanismos adicionais de conformidade, como normas corporativas globais ou cláusulas padrão.
4.Quais os principais benefícios econômicos para o setor de tecnologia? A medida funciona como um impulso para a internacionalização. Estima-se um aumento de 7% a 9% no comércio digital bilateral e a facilitação da integração de cadeias entre matrizes europeias e filiais brasileiras.
5.O que minha empresa precisa fazer para se adaptar a esse novo modelo? As organizações devem realizar ajustes internos, como o mapeamento de fluxos específicos para a UE , a atualização de políticas de privacidade para refletir a nova base legal de adequação e a publicação de documentos em português com linguagem clara e transparente.

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