Proteção de Dados

Os 3 maiores riscos para negócios digitais brasileiros em 2026 e como se proteger.

Escrito por Maria Andrade, advogada especializada em proteção de dados para empresas de tecnologia e fintechs na NDM Advogados.

Há mais de 10 anos oferecemos assessoria jurídica e contábil completa para empresas tech crescerem com segurança e poderem focar no que importa.

Atualizado em 30/01/2026

No dinâmico ecossistema empresarial brasileiro, caracterizado pela ascensão de startups e rodadas agressivas de expansão, a agilidade é frequentemente celebrada como a principal vantagem competitiva. No entanto, um cenário diferente se mostrou estudo Allianz Risk Barometer 2026, onde foram apontados por empresários brasileiros como os 3 maiores riscos de seus negócios para 2026: 1. Inteligência Artificial 2. Cybersegurança 3.Mudanças regulatórias

Enquanto jurídico especializado em empresas de tecnologia, fintechs e startups, nós percebemos entre nossos clientes que a reputação é hoje um ativo tão líquido quanto o produto, e questões de Segurança da Informação e mudanças regulatórias são tópicos recorrentes em auditorias, investimentos e due dilligence de parcerias. 

Por isso, nesse artigo trazemos medidas de redução de riscos das 3 principais ameaças apontadas no Allianz Risk Barometer 2026 pelos empresários brasileiros.

Os se prevenir dos 3 maiores riscos para negócios brasileiros em 2026

1. A ascensão fulminante da Inteligência Artificial

A maior disrupção no mapa de riscos brasileiro para 2026 é, sem dúvida, a subida da Inteligência Artificial (IA) ao topo do ranking, alcançando a 1ª posição com 32% das respostas dos especialistas. A IA deixou de ser uma fronteira tecnológica para se tornar uma ferramenta utilizada diariamente, e na medida que seu funcionamento vai sendo estudado e entendido, também cresce o seu reconhecimento como risco de Governança Digital imediato.

Este salto reflete o amadurecimento das ameaças e da exposição de responsabilidade civil e falhas críticas de configuração. Um exemplo pragmático foi o caso das conversas privadas do ChatGPT indexadas no Google; um erro de configuração que expôs dados sensíveis, evidenciando que a adoção de novas tecnologias sem políticas rigorosas de privacidade é uma vulnerabilidade estratégica. Além disso, a IA agora potencializa o risco de desinformação, criando uma simbiose perigosa com o crime cibernético.

Os ricos principais atrelados à IA foram:

  • Riscos operacionais: interrupção dos negócios, falhas ou desalinhamento de sistemas e erros em cascata em fluxos de trabalho automatizados
  • Riscos legais e de conformidade: violações de regulamentações emergentes, responsabilidade por resultados prejudiciais da IA e sanções sob estruturas de governança em evolução
  • Riscos à reputação: danos à marca relacionados a desinformação, uso antiético da IA, violações de dados ou decisões tendenciosas que afetam clientes ou funcionários

Percebe-se que as principais preocupações são relacionadas a falhas técnicas nos sistemas e danos relacionados ao uso incorreto das IA. Para reduzir esses riscos, são boas medidas a adoção de boas práticas de Privacy by Design desde o desenvolvimento ou integração da IA ao operacional da empresa, bem como o treinamento da equipe a respeito de boas práticas de proteção de dados e segurança da informação, e a como utilizar a IA no dia a dia e nos fluxos de trabalho de forma segura.

Na prática, aplicar Privacy by Design ao desenvolvimento de IA envolve:

  • integrar o Jurídico especializado em proteção de dados nas primeiras decisões de arquitetura;
  • documentar a base de dados da IA, sua coleta e fluxos antes mesmo de iniciar o treinamento;
  • avaliar impacto de privacidade a cada etapa do ciclo de vida da IA;
  • testar alternativas para reduzir exposição do titular, como dados anonimizados ou modelos federados.

Ainda, empresas que desenvolvem IA precisam estruturar mecanismos de:

  • monitoramento em tempo real;
  • detecção de anomalias;
  • avaliação periódica de performance e fairness;
  • revalidação das bases de treino;
  • auditorias independentes ou internas;
  • logs completos que permitam auditoria retroativa.

Dito isso, mesmo o melhor modelo pode gerar riscos graves quando operado sem governança.

  • Empresas que implementam IA precisam definir:
  • políticas claras de uso aceitável da tecnologia;
  • papéis e responsabilidades (desenvolvimento e tech, jurídico, DPO, governança);
  • treinamentos periódicos para equipes envolvidas na operação da IA.

A segurança da informação deve ser tratada como um ativo estratégico e um requisito de conformidade inegociável desde o início da operação.

https://www.youtube.com/watch?v=mTVVMHNCT0o

2. Incidentes Cibernéticos

Ocupando a 2ª posição com 31%, os Incidentes Cibernéticos (incluindo ransomware, violações de dados e interrupções de rede) permanecem no centro das preocupações. A preocupação crescente com a tecnologia vai na linha do que se observa do setor comercial do Brasil de transferência massiva da oferta de produtos e serviços no ambiente digital, e um crescimento visível de negócios que já são nativos digitais desde sua concepção.

Nessa mesma linha, consumidores estão mais conscientes dos perigos enfrentados com o vazamento de dados e incidentes de segurança, enquanto cyber criminosos estão mais sofisticados nos seus ataques e no uso de informações para técnicas de engenharia social, como o physhing.

O cenário brasileiro é hostil. A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) comunicou 395 casos de incidentes de segurança reportados em 2025. O impacto é reputacional e financeiro, na medida em que a confiança dos clientes, parceiros e do mercado no geral é quebrada. Para startups que possuem pouco tempo de mercado, essa mancha reputacional pode ser o motivo da morte da empresa.

Porém, mesmo com recursos limitados, é possível implementar práticas estratégicas para proteger sua operação e manter a conformidade:

  • Mapeie riscos: Identifique e avalie riscos operacionais, tecnológicos, financeiros e legais, priorizando os de maior impacto.
  • Plano de contingência: Antecipe cenários críticos e estabeleça respostas rápidas para minimizar danos.
  • Adoção de normas e frameworks: Utilize referências como a ISO 27001 e o Guia do Agente de Pequeno Porte da ANPD para estruturar controles e alinhar-se a boas práticas internacionais.
  • Proteção de dados e sistemas: Invista em firewalls, controle de acessos, backups e monitoramento.
  • Cultura de segurança: Treinamentos constantes para todos, incluindo fundadores e novos integrantes.
  • Avaliação contínua: Testes de vulnerabilidade e monitoramento proativo para acompanhar novas ameaças.

A chave está em simplificar sem fragilizar. Algumas estratégias práticas incluem:

  • Documentação e políticas claras: Tenha uma Política de Segurança da Informação (PSI) e um Plano de Resposta a Incidentes (PRI) objetivos, acessíveis e adaptados à realidade da empresa.
  • Automatização de processos: Ferramentas de monitoramento, controle de acesso e auditoria reduzem a dependência de grandes equipes.
  • Onboarding rápido e direcionado: Integre novos colaboradores à cultura de segurança desde o primeiro dia.
  • Cultura de feedback e transparência: Incentive a comunicação aberta sobre riscos e não conformidades.
  • Metodologias ágeis e lean Governance: Ciclos curtos de análise e resposta, alinhados ao ritmo da operação.
  • Foco em resiliência: Gestão de riscos como alicerce para crescimento sustentável e atração de investidores.
guia prático de segurança da informação

3. As mudanças regulatórias

O terceiro grande risco apontado para 2026 é a Mudança na Legislação e Regulamentação (28%). A volatilidade aqui é impressionante: este risco saltou da 7ª posição em 2025 para a 3ª posição em 2026 no Brasil. As empresas enfrentam agora a pressão de novos requisitos de sustentabilidade (ESG), proteção de dados (LGPD) e exigências regulatórias mais incisivas das agências fiscalizadoras.

A conformidade não é mais opcional para quem busca captar recursos. O descumprimento de normas regulatórias gera uma barreira intransponível em auditorias, due dilligences de investimento e parcerias, e principalmente em pedidos de autorização em agências fiscalizadoras, como o Banco Central, a CVM, a SUSEP, a ANS e o SIGAP.

Algumas mudanças legislativas importantes observadas em 2025 foram:

  • No dia 3 de novembro de 2025, o Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional publicaram um conjunto normativo de grande impacto sobre o sistema financeiro e o ecossistema de fintechs, trazendo mudanças no capital mínimo das Instituições Autorizadas através da Resolução Conjunta nº 14 e das Resoluções BCB nº 517 e nº 518.
  • A Resolução Conjunta nº 16, de 28 de novembro de 2025, inaugurou o primeiro marco regulatório específico para Banking as a Service (BaaS) no Brasil, ao disciplinar como Instituições Financeiras, Instituições de Pagamento e demais instituições autorizadas pelo Banco Central podem estruturar esse modelo de negócios.
  • Com a publicação das novas regras do Banco Central do Brasil (BCB) em novembro de 2025, o mercado de criptoativos entra em uma nova fase de regulação. As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521 dão forma prática ao que foi previsto pela Lei nº 14.478/2022, o chamado Marco Legal dos Ativos Virtuais, e pelo Decreto nº 11.563/2023, que atribuiu ao BCB a supervisão das chamadas VASP (Virtual Asset Service Providers) ou, em português, Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) ou Exchanges de Criptoativos.
  • Com a publicação da   Instrução Normativa RFB nº 2.278/2025 e a versão 1.2 do Manual da e-Financeira instituições de pagamento e participantes de arranjos,como carteiras digitais, emissores de cartões, fintechs e outros agentes do ecossistema, passam a estar submetidos às mesmas regras aplicáveis às entidades do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Isso significa que se a instituição mantém contas ou contratos enquadrados no conceito normativo, ela deve transmitir os dados ao Fisco semestralmente.

Lidar com mudanças regulatórias constantes é, de fato, um desafio que pode gerar muita insegurança, principalmente para empresas que buscam entrar em mercados altamente regulados, como o das fintechs, instituições financeiras e instituições de pagamento.

O acompanhamento constante dessas mudanças, da aplicação no seu modelo de negócio e da identificação e orientação do que precisa ser feito é uma necessidade que pode ser suprida com uma assessoria jurídica especializada.

Conclusão

No cenário de 2026, as empresas que equilibram agilidade e proteção serão as únicas capazes de sustentar seu crescimento e atrair capital de longo prazo. A resiliência cibernética tornou-se a nova métrica de qualidade operacional, mas ela não precisa ser extremamente custosa ou uma trava para a sua empresa. Com uma assessoria jurídica especializada no seu modelo de negócio, a prevenção aos 3 principais riscos de 2026 pode virar parte integrante do seu negócio, pavimentando um caminho para um crescimento seguro.

NDM Advogados especializado em fintechs, instituições de pagamento e empresas de tecnologia
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