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Demissão na startup: o que todo founder precisa saber antes de fazer o primeiro desligamento

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Escrito por Matheus Figueiredo, advogada especialista em trabalhista e NR-1 para startups, fintechs e empresas de tecnologia na NDM Advogados.
Há mais de 10 anos oferecemos assessoria jurídica e contábil completa para empresas tech crescerem com segurança e poderem focar no que importa.
Atualizado em 18/05/2026
No ecossistema de startups, o mantra “contrate devagar, demita rápido” é repetido como um dogma de eficiência. No entanto, para o founder que está do outro lado da mesa, o processo de demissão raramente é simples ou rápido. Entre o crescimento acelerado e a pressão por resultados, muitos empreendedores negligenciam o rigor jurídico necessário na hora de encerrar um ciclo, transformando o que deveria ser uma decisão estratégica em um passivo trabalhista silencioso.
Demitir o primeiro colaborador é um rito de passagem doloroso, mas necessário para a saúde da empresa. O problema é que um erro no cálculo ou na documentação pode custar caro em multas e afugentar investidores em uma futura Due Diligence.
Além disso, falhas no processo de saída podem gerar danos à cultura da empresa. Um desligamento mal conduzido cria insegurança no time que fica reduzindo a produtividade e aumentando o turnover voluntário de talentos-chave. Sob o ponto de vista jurídico, a ausência de conformidade (compliance) pode gerar condenações que incluem horas extras não pagas, reconhecimento de vínculo em casos de “pejotização” mal feita e multas pesadas por atraso no pagamento da rescisão.
Neste artigo, vamos desmistificar o processo de desligamento sob a ótica jurídica e estratégica, garantindo que você proteja o caixa e a reputação do seu negócio.
A escolha da modalidade de desligamento é a decisão financeira mais impactante do processo. Cada uma possui requisitos e custos distintos, definidos na CLT, que você deve dominar:
| Verba | Sem Justa Causa | Justa Causa | Comum Acordo (Distrato) |
| Saldo de Salário | Sim | Sim | Sim |
| Aviso Prévio | Sim | Não | Sim (50% se indenizado) |
| 13º Proporcional | Sim | Não | Sim |
| Férias Proporcionais | Sim | Não | Sim |
| Multa FGTS | 40% | Não | 20% |
| Seguro-Desemprego | Sim | Não | Não |

A lei é implacável com os prazos. Independentemente do motivo da saída, a empresa tem 10 dias corridos, contados a partir do término do contrato, para efetuar o pagamento das verbas rescisórias e entregar os documentos de baixa ao colaborador.
O que poucos percebem é que o atraso de apenas um dia no pagamento gera a multa do Artigo 477 da CLT, que equivale a um salário integral do empregado em favor dele. Para uma startup com o caixa apertado, pagar um salário extra por puro erro administrativo é um desperdício imperdoável. Além das verbas salariais, você deve se certificar de que as guias de recolhimento de impostos e a chave de conectividade do FGTS estejam prontas no mesmo prazo.
Se você pretende demitir alguém por performance ou conduta recorrente, o direito do trabalho brasileiro exige o que chamamos de gradualidade das penas, na maioria das situações, a depender da gravidade da conduta.
Isso significa que, antes de chegar à justa causa, você deve construir um dossiê de evidências, como:
Se o colaborador se recusar a assinar a advertência, não se desespere. Basta colher a assinatura de duas testemunhas que presenciaram a leitura do documento e a recusa.

O contrato de experiência (máximo de 90 dias) é a zona de segurança da startup, mas possui regras próprias. Se você decidir desligar o colaborador exatamente no último dia do contrato, não há aviso prévio nem multa de 40% do FGTS.
Por outro lado, se você decidir demitir antes do fim do prazo (ex: desligar no dia 45 de um contrato de 90), a empresa deve pagar uma indenização correspondente a metade dos dias que faltavam para o término (Artigo 479 da CLT), a menos que o contrato preveja uma cláusula asseguratória do direito recíproco de rescisão antes de expirado o termo ajustado . Vale destacar que o esquecimento de encerrar o contrato no dia exato faz com que ele se torne automaticamente um contrato por tempo indeterminado, ativando todos os custos de uma demissão comum.
Para garantir que nada passe despercebido, utilize este roteiro básico em todo desligamento:

Demitir nunca será uma tarefa prazerosa, mas deve ser uma tarefa profissional. Para um founder, a proteção do negócio começa na clareza dos contratos e termina na ética do desligamento. Ao seguir os ritos legais e documentar a jornada do colaborador, você não está apenas evitando processos; está construindo uma empresa madura, pronta para receber investimentos e escalar com segurança.
Lembre-se: o custo da prevenção é sempre menor que o custo de uma sentença judicial.
1. Posso demitir um funcionário que está produzindo pouco por justa causa?
Dificilmente. A baixa produtividade (desídia) exige prova de que o funcionário agiu com má-vontade ou desleixo repetido, após várias advertências e suspensões. Na maioria das vezes, o melhor caminho para baixa performance é a demissão sem justa causa ou o distrato.
2. O que acontece se eu não pagar a rescisão em 10 dias?
A empresa deverá pagar uma multa no valor de um salário do funcionário, além de juros e correção monetária. Isso também aumenta drasticamente as chances de o ex-colaborador buscar um advogado.
3. Preciso de advogado para fazer uma demissão?
Para demissões comuns (sem justa causa), o apoio da sua contabilidade costuma ser suficiente. No entanto, para casos de justa causa, rescisão de executivos com stock options ou cargos de confiança, a consultoria jurídica é indispensável para evitar brechas no contrato.
4. O colaborador pode ser demitido durante as férias?
Não. O contrato de trabalho fica suspenso durante as férias. O desligamento só pode ser comunicado após o retorno do colaborador às atividades.
5. Posso descontar o valor do notebook quebrado da rescisão?
Apenas se houver previsão contratual para descontos em caso de dano ou se ficar comprovado o dolo (intenção de quebrar). Caso contrário, o desconto pode ser considerado ilegal.

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