Escrito por Filipe Luiz Novais, advogada especialista em trabalhista para startups, fintechs e empresas de tecnologia na NDM Advogados.

Há mais de 10 anos oferecemos assessoria jurídica e contábil completa para empresas tech crescerem com segurança e poderem focar no que importa.

Atualizado em 09/03/2026

Em 2025, a justiça do trabalho registrou um aumento de 35% no número de novos processos trabalhistas. Esse crescimento não ocorreu apenas no último ano, mas segue uma tendência contínua.

Entre os principais motivos das ações trabalhistas, que devem continuar em alta em 2026, estão o reconhecimento de vínculo de emprego e assédio. São temas comuns que podem surgir em empresas de qualquer porte ao longo de sua trajetória. 

Neste artigo, vamos mostrar os principais pontos de atenção para evitar processos trabalhistas e como a adequação pode ajudar o seu negócio a ter mais segurança jurídica, previsibilidade financeira e competitividade. E, claro, evitar entrar nesta estatística. 

1.Principais estratégias para evitar processos trabalhistas para Startups em 2026

Contratação estratégica e a armadilha do vínculo empregatício

O primeiro passo é olhar para a forma como a sua empresa contrata.

É essencial entender se o tipo de contrato é adequado às funções exercidas pelos profissionais. 

Os principais fatores de risco são: (i) ausência de contrato de trabalho ou contrato de prestação de serviços, (ii) contratos padrões sem regras claras, (iii) falhas no tratamento com estes profissionais.

Essa análise inicial já permite identificar o nível de risco da sua operação. Se você nunca analisou os riscos dos itens que apontamos acima, é urgente revisar as contratações. 

A ausência de contrato de trabalho reduz a segurança da empresa na execução das atividades. Sem um documento formal, não há regras claras sobre confidencialidade, uso de informações ou tratamento de dados, pontos fundamentais para qualquer negócio.

No caso de prestadores de serviços, o risco é ainda maior. Sem contrato, não há como demonstrar qual foi a relação estabelecida. Isso pode levar ao reconhecimento de vínculo de emprego, e a falta do documento reforça essa possibilidade. 

Para se ter uma idéia, o valor médio de ações trabalhistas requerendo vínculo de emprego giram em torno de R$ 30.000,00 e R$ 120.000,00. Agora imagina sua empresa recebendo duas ou três ações desse valor por ano. 

Mesmo quando há acordo, trata-se de uma despesa relevante que impacta diretamente o fluxo de caixa.

Por isso, o primeiro passo da adequação trabalhista é revisar o modelo de contratação, sua formalização e a adequação dos contratos às funções exercidas. 

Além da CLT: O impacto dos Sindicatos

Depois de entender a forma de contratação, é importante verificar se a empresa cumpre corretamente todas as regras de cada vínculo. 

Enquanto o contrato de prestação de serviços segue o que foi acordado entre as partes (cuja validade vem sendo reforçada pelas recentes decisões do STF), o contrato de trabalho é regido pela CLT e também pelas normas do sindicato da categoria.

Essas normas envolvem, por exemplo: 

. Vale-alimentação

. Piso salarial

. Benefícios obrigatórios

. Participação nos Lucros (PLR)

. Contribuição assistencial.

Muitos empreendedores não sabem que, se a convenção coletiva estabelecer o pagamento de PLR, o pagamento se torna obrigatório. O descumprimento pode gerar multas e passivos.

A contribuição assistencial segue lógica semelhante. Trata-se de valor destinado ao custeio das negociações coletivas. Se a empresa não realizar o desconto dos empregados que não se opuseram e não repassa ao sindicato, ela pode ser cobrada pelo sindicato, inclusive judicialmente. 

Para ilustrar, o Mercado Livre foi condenado a pagar cerca de R$ 2.000.000,00 em contribuição assistencial. Muitas empresas assumem esse tipo de passivo simplesmente por desconhecimento do procedimento. 

NR-1, saúde mental e reputação da marca

Um dos maiores ativos de uma empresa é a sua marca. Uma reputação sólida transmite confiança a clientes, parceiros e investidores. Por isso, situações internas que possam afetar a imagem do negócio precisam ser prevenidas, especialmente quando estamos falamos de saúde mental e riscos psicossociais, tema reforçado pelas atualizações da NR-1 

Hoje, um conflito interno pode rapidamente se tornar público nas redes sociais, com impactos diretos na reputação da empresa. Um exemplo é essa publicação:

“O ambiente corporativo muitas vezes pautado por metas distantes da realidade e conectividade ininterrupta, tornou-se o terreno fértil para a Síndrome de Burnout. Quando atingi o ápice do esgotamento mental e o colapso em minha capacidade produtiva e emocional, a empresa me desligou arbitrariamente, cometendo nesse momento um erro, em resposta à minha fragilidade.” (caso real de um usuário do linkedin)

Uma empresa adequada à NR-1 deve ter:

. Canal interno de denúncias;

. procedimentos de apuração; 

. revisão das políticas internas de segurança do trabalho;

. registro das ações adotadas;

Com essa estrutura, situações de adoecimento ou conflito podem ser tratadas internamente e, se necessário, a empresa vai conseguir demonstrar que adotou todas as medidas de prevenção e acolhimento.

Em 2025, houve certa de 140 mil processos trabalhistas envolvendo assédio moral, com indenizações médias entre R$ 20.000,00 à R$ 25.000,00. 

Ou seja, além do impacto financeiro, existe também o risco reputacional. A adequação trabalhista pode evitar que o seu negócio perca parcerias estratégicas e mantenha a reputação da marca no mercado. 

Rotina de trabalho e Regimento Interno

Problemas surgem naturalmente no dia a dia da empresa. O ponto crítico é como a organização lida com eles. 

O regimento interno estabelece as regras de conduta que os empregados devem seguir e permite a aplicação de medidas disciplinares em caso de descumprimento. Isso demonstra, tanto internamente quanto externamente, que determinadas condutas não são toleradas e evita problemas à medida que todos os empregados vão entender quais as regras a serem seguidas. 

Consequentemente, o tema nos leva para o segundo ponto crítico, que é quando a empresa aplica a justa causa sem a estrutura necessária. 

A justa causa é a penalidade máxima na relação de emprego. Para ser válida, exige:

. proporcionalidade;

. histórico disciplinar (quando aplicável);

. imediatismo, ou seja, aplicada após a constatação do fato;  

. provas consistentes;

Por exemplo, o descumprimento de regras internas por indisciplina normalmente exige advertências prévias. Já condutas graves ou criminosas podem justificar a justa causa direta, pois rompem a confiança na relação. 

A relevância deste tema é grande: a reversão por justa causa está entre os motivos mais comuns de ações trabalhistas. Esses processos costumam variar entre R$ 22.000,00 e R$ 40.000,00, dependendo da remuneração, verbas rescisórias e tempo de serviço.

2. Diferencial para Investidores: Compliance trabalhista como alavanca de Valuation e M&A

Agora pense sob a ótica de um investidor. 

Você escolheria investir em uma empresa com passivos trabalhistas relevantes, histórico de processos e reputação negativa como empregadora? Provavelmente não, ou investiria com uma série de ressalvas e por um valor menor.

Passivos trabalhistas impactam diretamente negociações de investimento, aquisição ou M&A. É comum que investidores solicitem descontos ou garantias diante de riscos trabalhistas.

Lembre-se que antes de qualquer investimento, a sua empresa vai passar por uma due diligence para comprovação da segurança da empresa.

No Brasil, por exemplo, a aquisição da Varig pela Gol foi estruturada como unidade produtiva isolada justamente para evitar a sucessão das dívidas trabalhistas da antiga companhia. Mesmo assim, após a compra, milhares de ações passaram a ser direcionadas à adquirente, gerando discussões judiciais relevantes sobre sucessão. Ou seja, é um risco real. 

Por outro lado, empresas com estrutura trabalhista adequada transmitem segurança jurídica e previsibilidade, o que fortalece seu valor de mercado e força no momento de negociações.

Cada vez mais, organizações buscam a adequação trabalhista como forma de reduzir riscos, preservar recursos, reter talentos e fortalecer a segurança jurídica diante de eventuais investidores. 

3. Conclusão

A adequação trabalhista não deve ser vista como despesas, mas como proteção do negócio. Ela traz previsibilidade financeira, reduz riscos de processo e preserva a reputação da empresa, fatores que impactam diretamente a sustentabilidade da atividade e o valor do negócio. 

Empresas sem estrutura acabam criando uma “cultura de passivo trabalhista”, na qual ações se tornam recorrentes por falhas internas de gestão e controle. 

Organizar a empresa, ao contrário, reduz litígios e aumenta a segurança para crescer. 

Por isso, contar com profissionais especializados e experientes é essencial para tornar o negócio mais seguro e competitivo, além de viabilizar parcerias estratégicas.  

4. FAQ

Qual o impacto de um processo de reconhecimento de vínculo no fluxo de caixa? No mercado atual, uma única ação pode custar entre R$ 30 mil e R$ 120 mil. Para uma empresa sem contratos formais, duas ou três ações dessas por ano podem inviabilizar o fluxo de caixa.

Minha empresa é obrigada a pagar PLR? Depende da Convenção Coletiva do seu sindicato. Muitas empresas acumulam passivos milionários (como o caso do Mercado Livre) simplesmente por ignorarem as normas sindicais que tornam o benefício obrigatório.

O que a NR-1 tem a ver com a reputação da minha marca? A nova NR-1 foca em riscos psicossociais (como Burnout). Um processo de assédio moral (média de R$ 25 mil em indenização) pode vazar para redes sociais e afastar investidores, parceiros e bons talentos.

Como o passivo trabalhista afeta a venda da minha empresa (M&A)? Em processos de due diligence, o investidor leva em consideração o valor dos riscos trabalhistas no momento de definir o preço final da empresa (valuation). Uma empresa desorganizada vale menos e exige garantias que travam o negócio.

NDM Advogados especializado em fintechs, instituições de pagamento e empresas de tecnologia
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