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O crime organizado e o mercado financeiro: Por que empresas precisam reforçar seus programas de KYC, KYS e KYP?

O crime organizado representa uma ameaça global e persistente, buscando incessantemente explorar vulnerabilidades no sistema financeiro para legitimar seus ganhos ilícitos. Esta ameaça não se restringe a fronteiras geográficas, permeando economias em todo o mundo. 

O Brasil enfrenta um desafio significativo no combate à lavagem de dinheiro: conforme levantamento feito pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), estima-se que cerca de R$ 200 bilhões sejam perdidos anualmente em impostos devido a essa prática ilícita.

Essa atividade criminosa compromete o mercado e exige respostas robustas de instituições financeiras e demais empresas do ecossistema financeiro. Diante dessa realidade complexa, os processos de devida diligência estabelecidos através dos documentos de Know Your: KYC (Know Your Customer), KYS (Know Your Supplier), e KYP (Know Your Partner), emergem como as primeiras e mais cruciais linhas de defesa. 

Esses procedimentos de devida diligência são exigências regulatórias a serem cumpridas para empresas autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (BACEN), e são ferramentas estratégicas indispensáveis para identificar, avaliar e mitigar os riscos associados a clientes, fornecedores e parceiros de negócios.

Ainda, esses procedimentos são altamente indicados mesmo em cenários que não são obrigações regulatórias para as empresas, visto que ao implementar e manter esses processos de forma eficaz, as empresas se protegem de serem cúmplices inadvertidas ou alvos diretos de atividades criminosas, salvaguardando sua reputação e sua responsabilidade social corporativa.

Para entender melhor o porquê de implementar esses processos, as diferenças entre cada sigla e como implementar cada processo na sua empresa, continue a leitura!

Digitalização x risco de fraudes e práticas criminosas

Quando falamos em crime organizado, uma das principais dores que vem à mente das grandes empresas é a evolução das fraudes nos últimos anos e demais atividades ilegais relacionadas ao dinheiro, como é o caso da lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo, e corrupção, por exemplo.

Só para se ter uma ideia, cerca de R$10,1 bilhões foram perdidos em fraudes no setor financeiro nos últimos 2 anos conforme levantamento feito pela GASA (Global Anti-Scam Alliance): State of Scams in Brazil 2024. 

Por essa razão, normas e regulamentos estabelecendo políticas e procedimentos de compliance vêm sendo discutidas, aprovadas e aplicadas a atividades diárias. Assim, é possível combater a lavagem de dinheiro, o financiamento ao terrorismo e outras práticas criminosas, além de mitigar o risco de fraudes.

Quais normas e regulamentos vigentes?

No Brasil, as exigências relativas aos procedimentos de compliance ficaram maiores ano após ano devido ao aumento de casos de ilícitos envolvendo o sistema financeiro, como a lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo, fraude, corrupção, dentre outros. Neste contexto, algumas leis que foram adotadas e as empresas precisam ficar de olho são:

  • Lei Anticorrupção (nº 12.846/2013), que fortalece os processos de prevenção à prática de corrupção e suborno no Brasil;
  • Resolução CMN nº 4.539/2016, que prevê a implementação por parte das instituições financeiras para garantir a transparência, responsabilidade e diligência na oferta e venda de produtos aos clientes;
  • Resolução BCB n° 65 de 26/1/2021 e a Resolução CMN nº 4.595/2017, que obrigam que bancos, instituições financeiras, consórcios e instituições de pagamento tenham uma política de compliance.
  • Circular BCB nº 3978/2020, que dispõe sobre a política, os procedimentos e os controles internos a serem adotados pelas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil visando à prevenção da utilização do sistema financeiro para a prática dos crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores.

Essas são algumas das normativas que as empresas devem ficar atentas para estarem em conformidade e mitigar possíveis riscos quando pensamos em crimes organizados — além de colocarem na prática os processos que envolvem KYC, KYS e KYP. 

Entendendo KYC, KYS e KYP

KYC

KYC (Know Your Customer, ou, em tradução, Conheça seu Cliente) é um procedimento de Compliance estabelecido para mitigar os riscos de envolvimento com contrapartes inidôneas. Na indústria de investimentos e serviços financeiros é um procedimento utilizado para verificar a identidade dos clientes, qualificá-los, e compreender seus perfis de risco e financeiros. É um requisito ético e regulatório fundamental para instituições que lidam com clientes — tanto na abertura quanto na manutenção contínua de contas.

O objetivo principal do KYC é prevenir que partes inidôneas utilizem a estrutura da empresa para o cometimento de ilícitos, como lavagem de dinheiro, fraude e financiamento ao terrorismo, garantindo que os clientes sejam legítimos e idôneos. Além disso, o KYC auxilia na identificação de Pessoas Politicamente Expostas (PEPs) e outros indivíduos de alto risco, demandando um monitoramento maior desses clientes, visto a sensibilidade da atividade profissional deles. 

KYS

O KYS (Know Your Supplier ou, em tradução, Conheça seu Fornecedor) tem como objetivo identificar, qualificar e classificar o potencial fornecedor em níveis de riscos, analisando as informações legais desses fornecedores. É imprescindível essa validação para garantir que o relacionamento negocial com esse fornecedor não trará problemas para a empresa, tanto financeiros  e legais quanto reputacionais. 

Normas internas de compliance em grandes empresas e companhias de capital aberto, por exemplo, já incluem robustas políticas de admissão e contratação e de cadastro e qualificação de fornecedores.

KYP

O KYP (Know Your Partner ou, em tradução, Conheça seu Parceiro) analisa, verifica e valida as informações fiscais, legais e financeiras dos potenciais parceiros da empresa. 

Normas internas de compliance em grandes empresas e companhias de capital aberto, por exemplo, já incluem robustas políticas de admissão e contratação e de cadastro e qualificação de parceiros, entre outros. 

Ferramentas que facilitam o processo de KYC, KYS e KYP

Existem processos e soluções tecnológicas dentro da gestão de identidade que facilitam essa análise com foco em KYC, KYS e KYP de maneira automatizada. 

A Validação de Identidade, por exemplo, atua na verificação das informações relacionadas à identidade de uma pessoa física, como documentos, dados cadastrais e biométricos.

Já a Verificação de Empresas pode oferecer às instituições uma abordagem integrada para validar dados cadastrais, reputação e histórico financeiro de pessoas jurídicas e seus sócios. A partir de fontes públicas e privadas, essa solução realiza buscas em tempo real — incluindo Receita Federal, listas internacionais de sanções, dívidas ativas e processos judiciais. Outro ponto é que esse tipo de verificação vai além da validação simples, entregando insights profundos com análise em múltiplas camadas, incluindo o Quadro Societário e Administrativo (QSA).

A partir da plataforma de gestão de identidade all-in-one da idwall, as empresas conseguem — no mesmo ambiente — combinar diferentes soluções para ganhar agilidade e segurança tanto na análise de Pessoa Física quanto de Pessoa Jurídica. 

Para entender melhor como a idwall pode trabalhar com a sua empresa a mitigar riscos, auxiliar na gestão do seu negócio e se manter em compliance, clique aqui

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